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HOTELARIA SUPERECONÔMICA: TODA INOVAÇÃO É TECNOLOGIA?

Na semana passada, conversando um novo cliente, falávamos sobre conceitos de estrutura hoteleira enxuta versus hospitalidade. A conversa foi interessante e, naturalmente, conversamos sobre exemplares da hotelaria espalhados por aí.

Ao falarmos do extremo da hospedagem sem serviços, lembramos do hotel japonês Henn na, cuja tradução literal é “estranho”.

Lá, do check-in à saída dos hóspedes, tudo é resolvido por uma equipe… de robôs!! Toda jornada do hóspede, como pensamos ao conceituar um empreendimento, neste hotel é automatizada.

Segundo o empreendedor do hotel, Hideo Sadawa, ter robôs trabalhando no hotel é “ser mais eficiente com menos gastos trabalhistas”. Com isso, a tarifa da diária é supereconômica para os padrões japoneses, custando a partir de 9 mil ienes (R$ 230)

Para termos uma ideia de como funciona, o próprio site do hotel traz o passo-a-passo de como é a experiência:

Na recepção:  você será recebido por 3 robôs amigáveis que irão fazer o check-in e check-out para você. Um robô humano que fala em japonês, um robô dinossauro que fala inglês (feito principalmente para atrair crianças) e um terceiro com a fisionomia de robôs que estamos acostumados a ver.

Carregando as malas: Um carregador robô é quem leva as suas malas até o quarto é, também, um autômato. Basta colocar a bagagem nele e digitar o número do quarto.

 

O guarda-malas: Os clientes colocam as malas em uma janela e elas caem em uma caixa. Em seguida, o robô recolhe uma por uma e as coloca em armários.

 

Quartos: são equipados com painéis que usam sensores para ajustar a temperatura do ambiente de acordo com a temperatura do corpo dos seus habitantes. Além disso, também não há interruptores de luz. Quando querem apagar as luzes do quarto, os hóspedes têm que falar com a robô Tully, em forma de Tulipa. Além de escurecer o ambiente, ela também informa as horas e a previsão do tempo.

 

Para os japoneses, acostumados com tecnologias, o hotel não causou estranheza e, pela proposta supereconômica, gerou satisfação.

Mas não que outras culturas também não apreciem a ideia do supereconômico de qualidade.

De jovens contemporâneos, a viajantes de negócios ou de turismo econômico, a maior parte de quem já se hospedou em um Ibis Budget, por exemplo, também sentiu-se satisfeita com a experiência proposta pela bandeira.

Entretanto, no hotel japonês o estranho mesmo não parece estar na substituição de pessoas por máquinas, para se conseguir baratear a tarifa. Isso já acontece em diversas experiências e serviços do nosso dia-a-dia. A bizarrice está nas estátuas humanas, quase fantasmagóricas, espalhadas pelos percursos. E ainda, de acordo com o hotel, “é possível ter uma conversação amigável e inteligente com os robôs enquanto eles fazem o trabalho deles”!!

Cabe aqui, uma introdução a um novo artigo que podemos falar depois: hotelaria sem hospitalidade? Uma das definições de hospitalidade que já li define hospitalidade como um modo privilegiado de encontro interpessoal marcado pela atitude de acolhimento em relação ao outro (não me lembro o autor).

Em uma estadia, em maior ou menor grau de expectativa sobre luxo ou conforto que temos, penso que todos desejamos nos sentir acolhidos, de alguma forma.

Não tenho certeza se ao chegar a um front desk e deparar-se com um dinossauro ou uma forma humana caricata, isso causaria boa impressão a certas culturas.

Enquanto arquiteta, que devo levar em consideração as emoções proporcionadas ao usuário, pensando para o contexto de nossa cultura, prefiro o conceito de supereconômico proposto pelo Ibis Budget. Se há pessoas nesta jornada do hóspede, que sejam de verdade. Ou, onde os processos foram automatizados, substituídos por máquinas, qual o problema de isto ser assumido?

Eu e meu cliente, na nossa divagação, achamos dispensável ter a imitação da figura humana adotada no hotel japonês. Melhor a máquina de lanches que recebe o dinheiro em silêncio, sem imitar uma pessoa.

 

Ibis Budget Madrid Getafe com atendimento de recepção

Ibis Budget São Paulo Paraíso com máquinas de fast food

Painel interativo #dicasbudegt

Filosoficamente, dá até uma discussão semiótica sobre signos e significados… e isso não é uma viagem desnecessária. As pessoas podem estar sendo substituídas no atendimento, mas ainda projetamos ambientes e oferecemos negócios para as pessoas (de verdade) utilizarem. E, mesmo sendo contemporâneas, as pessoas ainda reagem conforme sua cultura ou padrões emocionais.

Não é à toa, que Franck Pruvost, diretor de operações da família ibis na América do Sul, fala de mais uma pequena grande sacada da bandeira: “o mural digital interativo #dicasbudget. No lobby de todos os hotéis Ibis Budget, o painel permite que os hóspedes troquem dicas de lugares para visitar e até organizem passeios em grupo”.

Não é uma forma simples e autêntica de ser “amigável” com economia?

Nem sempre, tudo que precisa ser inovado precisa ser tecnológico.

Para o, literalmente, estranho hotel Henn na um francês diria: C’est bizarre !

E seu hotel, pensa em redução de custos de forma inovadora?

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